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12/08/2004
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O ladrão e o cão Um ladrão entrou de noite numa casa. Um cão que lá havia começou a ladrar; para que se calasse, o homem deu-lhe um pedaço de pão. Então o cão disse-lhe: "Para que me das este pão? Dás-mo para me obsequiares ou para me enganares? Se matares e roubares o meu amo e a sua família , mesmo que me dês agora pão, logo terei que morrer de fome, e então convém-me mais ladrar e acordá-los que comer o pedaço de pão que me ofereces." (Muitos arriscam a vida por um insignificante benefício. Devem causar suspeitas os favores dos malvados).
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A pata dos ovos de ouro
Certo homem tinha uma pata que todos os dias punha um ovo de ouro; pensando que encontraria nas entranhas de tão rendosa ave uma grande quantidade do valioso metal, estrangulou-a; mas, ao abri-la, teve a triste surpresa de ver que por dentro era perfeitamente igual às outras patas. (É melhor contentarmo-nos com o que temos do que sermos ambiciosos)
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A gralha e as pombas Chegou aos ouvidos de uma gralha que em certo pombal viviam, copiosamente alimentadas, umas pombas; pintou-se de branco, para se disfarçar, e meteu-se entre elas como se fosse do bando. As pombas não reconheceram a intrusa, enquanto ela não abriu o bico, mas um dia, em que se esqueceu do seu papel e gritou como uma gralha que era, as pombas, à força de bicadas, expulsaram-na do pombal. Voltou então muito aflita para a torre da igreja, onde vivera até o dia em que resolvera disfarça-se; mas as suas antigas companheiras também não a reconheceram sob aquela plumagem branca e fizeram-na sair da sua companhia; assim a pobre gralha ficou abandonada de todos e sem guarida. (É inútil aparentar o que na realidade não somos, pois cedo ou tarde seremos descobertos.)
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O javali e a raposa Um javali afiava os dentes caninos no tronco de uma árvore, e uma raposa que o viu perguntou-lhe para que o fazia, se não havia necessidade disso. - "Faço-o", respondeu o javali, "porque tendo as minhas armas preparadas, posso defender-me sempre que seja preciso." (Devemos estar sempre preparados para tudo o que nos possa acontecer.)
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O burro descontente Num agreste dia de inverno um burro ansiava pela volta da primavera, porque já poderia ter o capim fresco em vez da palha seca que lhe davam numa úmida estrebaria. Pouco a pouco foi chegando o bom tempo e com ele a abundância do capim verde; mas o pobre burro, tinha tanto que trabalhar que, em breve, se cansou da primavera e só desejava o verão. Quando, por fim viu realizado seu desejo, o burro convenceu-se de que a situação não melhorara, pois tinha que andar todos os dias, carregado de hortaliças, sofrendo imenso com grandes calores. Só lhe restava desejar a vinda do outono; mas ele sabia que nessa época era muito duro o trabalho, pois tinha que carregar grandes sacos de trigo, cestos de maçãs, achas de lenha e outras provisões para o inverno; por isso o burro começou a suspirar pelo inverno em que pelo menos poderia descansar, ainda que as rações não fossem muito abundantes. ( Contentemo-nos com o que temos lembrando-nos de que há maiores privações)
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A raposa e a mascara
Passava um dia uma raposa por um caminho quando encontrou no chão uma mascara de homem. Pegou nela com grande curiosidade e, examinando-a detidamente, reparou que era oca. Ao ver isto, a raposa não pode reprimir o riso e disse: "É pena que uma cabeça de rosto tão inteligente não tenha miolos!" (De nada vale a boa aparência sem juízo).
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